Olá a todos os leitores do Dário T-Lover, é com grande satisfação que escrevo este post, pois ontem (Sexta Feira dia 29) tivemos um Orkontro da HJE e GLS Legal, mas foi um Orkontro cultural, bebemos em um restaurante na Cinelândia e depois fomos ao Cine Odeon na maratona que durou a noite toda.

Os filmes que vi

Eu vi o primeiro filme que foi “Meu amigo Claudia” da Claudia Wonder, depois vimos o Garoto de Aluguel, depois vimos outro que falava sobre a travesti na cadeia, depois vimos outros filmes no qual não estou lembrado e a cada sessão tinha um intervalo com baladas e tal.

Sobre o meu amigo Claudia

O Meu amigo Claudia foi um documentário muito interessante falando sobre a vida de Claudia Wonder e falava também sobre os anos 70 e 80, como era a vida das travestis naquela época, como elas eram tratadas e tudo mais. Digo-te que antigamente era praticamente um crime ser travesti, mandaram prender a Claudia Wonder por ser travesti e tinha sido o pai dela que tinha mandado prender. O filme também relata sobre a vida das travestis, como elas se viravam e falou também sobre a operação de caça as travestis, onde as autoridades (Policiais) faziam a ronda e prendiam diversas travestis onde apanhavam, eram consideradas criminosas por serem travestis, outra coisa que me marcou muito foi que começaram a metralhar as travestis nessa operação. Muitas eram mortas e humilhadas nas prisões por outros presos.

Realmente a vida de travesti naquela época era muito dura, mostraram à mídia perguntando sobre o assassinato de gays e travestis e o que achavam, muitos diziam algo do tipo “É gay tem que morrer mesmo”, “Essa raça nojenta merece morrer mesmo, não faz falta aqui na terra”. Comentários totalmente absurdos. A mídia impressa colocava as travestis ao ridículo e sempre a tratando no masculino, dizendo seu nome de batismo e tudo mais. A mídia era bem sensacionalista.

O filme falou também sobre as pessoas que transavam sem camisinha e quando descobriram a AIDS onde muitas pessoas morreram e a AIDS era vista como “peste-gay”, ou seja, AIDS naquela época era doença de “viado”, desculpem o termo, mas era assim que eles viam a AIDS nos anos 80.

Mas o filme falou sobre a era punk e rock dos anos 80 onde a Claudia Wonder fazia diversos shows em diversas casas uma delas bastante freqüentada a madame satã onde tinha diversidade, tinha diversos estilos desde punk até travestis e gays. E lá onde eles protestavam sobre a situação da época, sobre a sociedade hipócrita e tudo mais.

O filme sobre a Claudia foi muito interessante e logo abaixo postarei minha opinião sobre todos os filmes e a sociedade.

Sobre o filme da vida de travesti na cadeia

Este filme realmente foi chocante, começa com o detento transando com a travesti na cadeia, depois eles terminam aí em outra situação a travesti tava dançando para os companheiros de cela e depois outros presos se revezavam para transar com a travesti. Havia muitas brigas sobre ter uma travesti ali e os caras queriam matar ela, o primeiro cara que estava deitado com ela amava a travesti e chegou a dar uma aliança para a travesti, mas a pressão era tanta que ele não agüentou e este mesmo acabaram matando a travesti e enquanto a travesti levava facadas os outros presos riam, comemoravam, realmente foi uma cena chocante.

É um filme bastante interessante para mostrar que vida de travesti não era fácil e muito menos na cadeia onde era constantemente humilhada e sofria agressões. É uma realidade triste.

Minha opinião critica sobre esses fatos e sociedade

Infelizmente vivemos numa realidade cruel, veja que na década de 70 e 80 travestis eram mortas na rua a mando dos policiais, ser travesti naquela época era arriscado e muitas para superarem as dores se drogavam para esquecer a cruel realidade. Como podemos exigir dignidade na cadeia com um sistema penitenciário tão falho, tão abandonado e que não recupera ninguém?

As coisas no Brasil têm que melhorar muito para que sejamos país de primeiro mundo, uma delas poderiam ser criar celas especiais para travestis em cadeias femininas, já que são mulheres não tem nada de fazer numa penitenciária cheio de homem.

As mídias na época tratavam os LGBT de uma forma como se fossem aberrações, vide a palavra “peste-gay” associado a AIDS. Era uma época muito dura, fico me perguntando se existia T-Lover de verdade naquela época, que chegava para ele mesmo e dizia “Eu gosto de travestis, eu quero namorar uma travesti, me casar e tal!”, era muito raro, pois os que tinham esses sentimentos eram reprimidos cruelmente pela sociedade e muitos só as queriam como sexo.

Então vejo que não devemos apenas levantar bandeira, devemos também melhorar as coisas básicas da sociedade, acho que deveria acabar com essa parada de grupinho, por exemplo, no meio LGBT, tem o grupo das lésbicas, tem o grupo dos gays, das Travestis, das Trans, dos Bissexuais e tudo fica em grupinhos. O que devemos lutar é para que o LGBT seja parte da sociedade vista como uma pessoa qualquer independente de sexualidade, onde haja diversidade em que o hetero respeite o gay como ele é e o gay respeite o hetero como ele é. Que o cara respeite a travesti como dama, como mulher, como pessoa e a travesti respeite o cara pelo que ele é.

Se pararmos de criar grupinhos para tudo e a sociedade ser uma só e diversa muita coisa vai melhorar tanto para os LGBT quanto para toda sociedade, pois as empresas serão gay-friendly e aceitarão bem tanto os gays como heteros. O ponto em que devemos focar são criar leis que protejam os LGBT assim como há lei que protege os negros, não é caso de “ditadura gay” ou “regalia especial”, não é uma lei que proteja a Travesti, o gay, á lesbica e toda classe LGBT, pois estes sofrem muito preconceito e depois disso haver uma conscientização de que LGBT são pessoas como todas as outras.

Quando o Brasil for igual há alguns países da Europa em que há gays, mas, não há boate gay porque não precisa, pois há diversidade, seremos um país de primeiro mundo. Devemos mudar coisas básicas como educação, modos de se comportar, respeito ao próximo. Já que o brasileiro não é conhecido mundialmente como um povo hospedeiro, que ajuda as pessoas porque não há um respeito para com os próprios brasileiros independentes de sexualidade.

As travestis têm que ter oportunidade de concluir seus estudos e poder ingressar no mercado de trabalho formal e ter uma vida digna em que a sociedade passe a enxergar a travesti como uma mulher que trabalha, tem sua vida, sua casa e suas necessidades e que possa casar com um cara que ela goste e este seja um casal feliz.

Há muita coisa que deve ser mudada no Brasil para que sejamos um país desenvolvido.

Conclusão final

Bem falei escrevi bastante no tópico anterior, mas quanto ao Orkontro foi ótimo, nós rimos pra caramba nas horas de descontração, eu e o GLS Legal nos divertindo bastante. E a melhor parte eu falei pessoalmente com a Claudia Wonder que me reconheceu como Ursão, pois a tenho adicionada ao meu Orkut, falei com ela duas vezes e trocamos idéias rápidas, para mim foi uma grande satisfação e honra ter falado com a Claudia Wonder e ela ter me reconhecido. Para mim foi muito gratificante e posso dizer que conheço essa mulher pessoalmente.

Parabéns Claudia Wonder pelo documentário e o orkontro foi demais.

Vou ficando por aqui e quem quiser comentar, sintam-se a vontade para postar sua opinião.

Um grande abraço