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CNG: Como podemos inserir as Travestis no mercado de Trabalho?

Fonte: Central de Noticias Gays

Saúde, estética e prostituição. Hoje, essas são praticamente as únicas áreas de atuação profissional que uma Travesti pode almejar.

Para tentar mudar essa realidade, cerca de 30 militantes do grupo Pela Vidda se reuniram, no Centro do Rio, em um encontro que debateu a inserção desse grupo no mercado de trabalho.

Muitas Travestis morrem diariamente porque na prostituição estão expostas à criminalidade e à violência. Além disso, o tempo de trabalho de uma Travesti que se prostitui é muito curto, porque quando envelhece, perde o glamour e o sustento – explica Lorna Washington, atriz e Transformista.

Giselle Meirelles é Travesti e conseguiu subverter a realidade da maioria das colegas. Formada em jornalismo, Giselle também é uma profissional da área de saúde e hoje coordena projetos do Pela Vidda, grupo que dá ajuda humanitária aos portadores de HIV.

– Quero que a história delas seja diferente. Se eu consegui estudar e se tive oportunidades, elas também podem ter – diz Giselle.

Presente ao encontro, a documentarista Rejane de Moraes, diretora do curta Eu, Travesti, disse que, a partir de sua experiência, envolveu-se pessoalmente na luta das Travestis por mais dignidade.

– Percebi que há uma evasão escolar por causa do preconceito. A partir daí, muitas vão para as ruas. Não acredito em um documentarista que não se envolva no que está documentando, é impossível. Por isso, hoje estou aqui.

A Travesti Andréia Albertini, que ficou conhecida pelo escândalo com o jogador Ronaldo, no ano passado, foi considerada pelas militantes como um retrocesso na busca delas por um reconhecimento mais digno da sociedade.

– Ela foi suja e não pensou no coletivo ao fazer aquele escândalo – reclama Lorna Washington. Andréia morreu no dia 09 de julho, devido a complicações do vírus HIV do qual era portadora.

Márcio Villar, presidente do Pela Vidda, diz que Andréia frequentava o grupo, mas nunca abriu sua condição de soropositiva.

– Estranhei quando soube, ela era quieta. Só a pessoa expõe sua condição, é lei. Ninguém precisa saber se o outro tem HIV, mas é importante que todos se cuidem.

—-

É interessante ressaltar esse lado, pois muitas travestis vivem a margem da sociedade, sendo mal vistas e mais discriminadas. Mas isto ocorre porque ela não teve oportunidade de concluir seus estudos por causa do preconceito.

Acredito que ainda vamos mudar este quadro e começar a ver um número maior de Travestis ingressadas num mercado de trabalho e tendo uma vida feliz, sendo assim melhores vistas pela sociedade.

Travestis, transexuais e o mercado de trabalho

Texto retirado da A Casa da Maitê

Tudo pode acontecer, quando o assunto abordado é travestis e
trangêneros e sua inserção e exclusão no mercado de trabalho.

Com minha experiência e vivência nesta área, aprendi a ser mais
humana e não julgar somente um fato em si ,mas sim, olhar um pouco para trás e
refletir na história passada por esta transgênero. Cada pessoa é um histórico
cumulativo de alegrias, tristezas, vitórias, decepções, ilusões, conquistas e
tantas outras prerrogativas que as fazem ser do jeito que são e agirem do modo
que agem.

Quando falamos em transexuais , travestis e transgêneros,
devemos aqui observar uma carga extra, que é o preconceito com a exteriozação de
sua conduta e de sua sexualidade. Somos tidas muitas vezes como anomalias,
“bichos de circo” para o divertimento de clientes, objetos de uma vitrine de
prostituição ou até mesmo como aberrações.

Não é fácil o preconceito e a discriminação, bem sei disto. O
que não podemos fazer é cruzar os braços e achar que as coisas mudarão num
simples “plim-plim” , ou que , as pessoas “tem” que nos engulir da forma que
somos e desejamos.

Tudo faz parte de um processo. E como todo o processo, este
fenômeno é lento e gradual. Temos que, aos poucos, ir mudando os valores
arraigados em nossa cultura machista. Temos que neste momento ir fazendo
parcerias, encontrando pessoas acessíveis e propensas a nos ouvir e escutar
nossa história. Temos que nos unir mais, coisa que infelizmente não ocorre, haja
visto que o nosso mundo está cada vez mais voltado para a impessoalidade.

É triste ver que os seres humanos não se enxergam, nem dentro de
suas próprias segmentações. O Brasil dividiu-se, procurando encontrar seus
iguais, e perdeu-se neste emaranhado todo. Nossa diversidade é o que temos de
mais belo, mas a separação e desunião é o temos de mais triste e lamentável.

Vivemos numa época de mudança de valores e conceitos, e é nesta
época que devemos nos fazer ouvir, mostrando que as travestis, transexuais e
trangêneros realmente existem, sofrem, riem, ficam tristes, sentem, choram, se
divertem… e querem VIVER. Precisamos viver, pois a cada dia que passa a
situação da violência e da discriminação negativa, nos consomem e muitas vidas
são ceifadas e tiradas do nosso convívio diário.

Ao se falar em trangêneros e mercado de trabalho, temos que
analisar que somos as pessoas que mais sofrem no que tange este aspecto
importante da vida. O trabalho além de servir de válvula de escape para a
pessoa, a dignifica e a torna parte de uma sociedade. Isto é muito mais
importante, para nós trangêneros, haja visto , que na maioria das vezes somos
exluídas da sociedade e da inserção em seu bojo. A não ser em raros casos que
nos chamam e convidam para servirmos de atração e merchandising, como no caso de
eventos televisivos e carnavais da vida.

Isto tem que mudar e está mudando. Aqui em Curitiba, estive
participando de um seminário da Delegacia Regional do Trabalho, e o tema
debatido foi justamente a Promoção da igualdade de oportunidades de Trabalho; a
implementação da convenção nº 111 da OIT( leia-se Organização Internacional do
Trabalho) no Paraná.

Esta convenção 111, versa exatamente sobre a não discriminação
de quem quer que seja no trabalho, e da oportunidade igual e chances ídem para
todos os indivíduos, independente de sua idade, sexo, orientação sexual, cor,
credo, vínculo político, nacionalidade, gênero, e deficiências em geral. Neste
projeto, foi firmada uma parceria com todos os grupos presentes, entre eles o
Instituto Paranaense 28 de junho, a qual eu sou vice presidente. Isto mesmo,
você leu bem, sou uma transexual e que luto para que as coisas mudem. E luto,
não por vaidade ou por algum status, pois eu estaria muito bem levando minha
vidinha, sem precisar me envolver em causa alguma. Seria mais simples. Luto por
acreditar nas mudanças e por ter a certeza de que elas devam partir de nós. que
nos sentimos minorias e excluídos.

A ponte está sendo feita., e todos são chamados a participar de
sua construção em prol de um mundo melhor e mais humano. Através de atitudes
como estas, feitas no Paraná e de outras tantas que são anônimas, mas tambem
importantes, estamos mudando nossa realidade social. Este projeto de cidadania e
justiça no trabalho, já foi instaurado em ../mayte1/diversos outros Estados,
como Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, e outros tantos. Em cada um
destes locais, a população já dispõe dos Núcleos de Combate à discriminação no
trabalho. E tenho que afirmar para vocês que o trabalho destes núcleos é lindo e
muito bem feito. Tanto a nível organizacional, quanto a nível de respostas para
os casos que chegam até ele. Falo em número de porcentagens e casos
resolvidos.

Vários casos de preconceito e discriminação , baseados em
orientação sexual, foram golpeados e levados à lona. Fez-se valer o indivíduo e
não sua condição. As coisas estão mudando, eu sei e vejo que estão. Mas temos
que fazer a nossa parte. É fácil para os ditos “normais” e de padronagem aceita,
nos criticarem e julgarem sempre, quer seja pela prostituição, marginalidade ou
afetação estereotípica. É fácil para nós, transgêneros, dizermos que somos
injustiçadas e que somos vítimas. Mas aqui pergunto a todos vocês: ” O que as
pessoas fazem para nos entender???? O que procuram saber de nós, antes de nos
julgarem e massacrarem???” “O que nós, trangêneros, estamos fazendo para mudar
esta triste realidade que se apresenta??”

Nada é a resposta certa???? Eu creio que num primeito momento
sim, pois são muito poucos os interessados em mudança. É mais fácil e mais
cômodo criticar , ao invés de buscar-se soluções para que as coisas fiquem bem
para todos. Existem grupos organizados em todos os cantos do país. Grupos sérios
que lutam cotidianamente, mas são muito poucos os que realmente compram e vão à
luta.

Os transgêneros carregam no seu corpo , no seu rosto, na sua
maquiagem diária, mesmo que seja somente um rímel, a bandeira da diversidade e
da luta, mas isto não está mais bastando. Temos que não somente mostrar “os
peitos” , mas mostrar nossas idéias para construção de um mundo melhor. Se
realmente acreditamos nisto.

Encontro sempre diversas pessoas querendo mudar o mundo, e
pouquíssimas querendo mudar a si mesmas. A mudança somente ocorre quando mudamos
a nós próprias e aos nossos conceitos. Não somos 100% certas, mas também não
somos 100% erradas. Vamos chegar a um denominador comum…… e o caminho é o
diálogo e a união , sem dúvida nenhuma.

Eu poderia ficar aqui falando, horas, das pessoas que já vi se
matarem na minha frente, das que foram mortas por tiros, apedrejamentos e
espancamentos ../mayte1/diversos. Poderia eu ficar aqui durante horas, falando
de minha luta diária, e do preconceito que sofro como transexual, todos os dias
e em todos os momentos. Em contrapartida, já que posso estar aqui falando
prefiro falar para vocês que as coisas estão mudando, mas que para mudarem ainda
mais temos que ser parte desta mudança toda. Não ser carregada pela maré, mas
ser parte dela, envolver-se, manifestar-se, enfim, as formas de participação são
várias.

A luta é árdua e difícil sim, mas a população transgênero está
começando a refletir e tomar consciência de seu potencial. Somos muitas… e
somos corajosas. Somos vencedoras por natureza e em essência. Façamos desta
força nossa aliada. Juntas, pois somente assim realmente seremos ouvidas e nos
faremos respeitar.

P.S=> Se por algum acaso do destino , algum empresário ler
este texto e chegar até aqui, creio que as mudanças realmente já começaram.
Espero que você chegue mais longe, senhor empresário, e comece a refletir na
pessoa transgênero, como uma pessoa extremamente capaz para o trabalho e para o
pleno emprego. Veja-nos como bons olhos e verá que além do retorno de uma vaga
ocupada com capacidade, você estará desenvolvendo um trabalho social e de
construção de um mundo melhor. Um porém, não nos veja como “deficientes”… pois
muitas vezes as aparências enganam, e este é um caso típico. Somos, ousamos e
queremos existir.

Sim para a oportunidade igualitária de trabalho para todos.

Não para a discriminação.

Chega de sermos vítimas, somos GENTE.

Mais textos sobre diversidade e Universo T em http://www.casadamaite.com

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